Carta com Remetente

[a benção]
Comentei muito de você nesses últimos dias
Talvez foi a saudade que bateu ligeira
devastando todo o esquecimento
fazendo-me lembrar
recordar de quando chegava do trabalho
da maneira que me chamava
do orgulho que sentira ao me ver pela primeira vez no palco
das incansáveis vezes que disse ao mundo
“esse meniiiino…”
alongando “nino” e sem nunca completá-la
hoje, eu entendo
Teria orgulho de mim?
Pois aprendi a dirigir sozinho, você não estava do meu lado
Comprei meu carro, como sempre falei
Cheguei a idade adulta
E não me viu passar no vestibular
Não me viu cantar
E nem estava aqui quando eu voltei do outro lado do mundo
Quando sangrei por dentro,
quando ri até fazer xixi nas calças,
Quando deixei a tua casa para tentar a minha
E a benção…
você dormiu, pai, antes de eu lhe pedir…
[pra sempre, até um dia]
a benção pai.

(Adriano Veríssimo)

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